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“Quem é Original Não Treme” – Reflexão Final

Com esse slogan e letras politizadas, o grupo de rap “Reflexão Final” vem causando grande impacto na cenário hip hop nacional. Jucka e Geroo são os integrantes desta “família” localizada na região de Interlagos (zona sul de SP).

O Reflexão Final tem o apoio e a parceria da LifeStyle4Life!

Segue abaixo uma entrevista exclusiva e na íntegra realizada pelo blog “Vanguarda do Rap Nacional”

Vanguarda – Nos fale um pouco sobre o grupo?

Jucka – Salve à todos resumindo então, em 1998 eu, meus dois primos (Vagner, Valdir) e o mano Alcides (já falecido), tivemos a idéia de juntar as letras escritas e ensaiar nas bases instrumentais, em princípio o nome foi um grande problema (risos) mó treta, mas conseguimos debater bastante e chegamos no ReFlexão Final, que muitas vezes foi questionado por algumas pessoas mas que para falar a verdade é uma grande provocação, por que, cada Reflexão que termina começa uma nova e esse final é momentâneo, até então, demorou uns meses para a primeira apresentação. Ficamos com essa formação até 2001 e aí cada um começou seguir os rumos da vida, assim eu fui participar a convite dos manos do Família MVN, que até então o Gero02 participa também, e assim após uma troca de idéia resolvemos retomar o ReFlexão Final e tamu aí no corre…

Vanguarda – Quais os projetos do reflexão Final?

RF – Então, estamos prontos para ir ao estúdio e finalizar as nossas músicas, também finalizar músicas com os parceiros que nos convidaram para gravar junto. Dar um “gás” no MySpace sempre, hoje tem um bate-papo lá pra galera que acessa trocar umas ideias com quem está on line também, essas ferramentas são importantes nos dias atuais. Continuar participando de forma ativa em projetos voltados à comunidade e a rapaziada disposta ao corre certo, mesmo porque o movimento fica e pessoas morrem, então a preocupação maior é fortalecer o movimento, mesmo porque sempre devemos fazer algo em favor de nós mesmo (movimento). E sem esquecer hoje nós estamos com o apoio da Lifestyle4life! que chega junto com uns panos, tá ligado, gostaria até de agradecer o Adriano, dono da marca, que ajuda nessa caminhada e deposita uma confiança… tamu juntu!

Vanguarda – Quais são suas influências dentro e fora do Rap?

Jucka – Eu escuto muito músicas de vários estilos, alguns dos meus tios são ligado a música, então primeiro partiu da familia. Mas o rap nacional prevalece nessas influências, claro que não são desconsiderados os raps gringos também, não tenho nomes assim como um receita farmacêutica, mas escuto rap de portugal, chileno, colombiano, mexicanos, entre outros, enfim sendo música, e música boa, não importa eu escuto!
Gero02 – Gosto muito do rap nacional em geral, sou influenciado por palavras bem colocadas (ditas com sabedoria), sabendo a quem vai atingir la na frente. Fora do rap, meu pai e um avô, falecidos, que tocavam muito violão, pandeiro, sanfona e uns instrumentos caipiras de primeira, se estivessem vivos hoje com certeza iam mesclar nessa parada no rap.

Vanguarda – Você é professor, estudante e ainda é rapper, é difícil fazer uma conciliação? E essa sua formação educacional contribui (em que) para o seu Rap?

Jucka – Tenho uma graduação em administração, também estou cursando filosofia e por conta disso estou ministrando aulas de filosofia em uma escola pública e aos sábados sou professor voluntário em um cursinho pré-vestibular comunitário. O foda é, muitos não acreditam que sou do movimento hip hop e ainda cantar rap, estão na idéia que o rap é coisa de estar sem o que fazer (nunca foi assim), mesmo por que rap é fazer alguma coisa, não é? Sabe aquela frase “Nossa, você canta rap?!”, pô… isso é fogo! E quando falo sobre minha formação acadêmica não é querendo ter vantagem sobre ninguém, todos nós podemos correr atrás quando existem oportunidades favoráveis e fazendo parte de um movimento que considera revolucionário, temos que fazer o corre para não ficarmos de chapéu atolado. Na verdade, ao contrário do que se pensa, existe uma contribuição maior do rap na formação educacional, o barato é tão louco que fortalece a cada dia.
A questão do tempo… mano isso aí sempre achamos um espaço quando existe uma disposição para mudança. E também não podemos esquecer que o rap é compromisso!

Vanguarda – Em um som do RF, você cita “Quem é original não treme”, baseando-se na mesma, você acha que o rap atualmente está na “mesmice”? Muitos grupos querendo ser aqueles que já estão no auge. Qual sua visão sobre isso?

Jucka – “ Quem é original não treme” é nosso lema, ou seja, que é é! Se você não for verdadeiro, e eu digo contigo mesmo em algum momento irá mostrar suas fragilidades, não é que não temos pontos fracos, mas quem é verdadeiro não tem medo de cair a máscara, não faz média tá ligado. Por muitas vezes eu vejo uma “mesmice”, mas não é uma maioria e como minoria não responde por todos, suave, mas que dá uma preocupação por que tem uma molecadinha nova aí vendo e se espelhando, e isso é complicado. A frase já diz então quem está no auge é por algum mérito e corre monstruoso, claro que podem surgir alguns debates sobre as formas da conquista, mas não vem ao caso pois repito “Quem é original não treme”. Se é verdadeiro não há motivos para ter medo.
Gero02 – Mesmice eu não digo, por que rap evoluiu bastante de uns anos pra cá, hoje vejo vários grupos fazendo acontecer. Estamos caminhando com as próprias pernas, lógico que tem “aqueles” grupos que pegam carona na metade do caminho e não sabem os venenos que o rap sofreu e sofre até hoje, e por isso não pensam em crescer e evoluir no movimento. Referente aqueles que estão no auge, não podemos caminhar na mesma estrada, até porque temos histórias diferentes. Com o mesmo propósito e objetivo sim, porque a luta é a mesma, por isso temos o lema “Quem é original não treme!

Vanguarda – Como você vê o rap atualmente?

Jucka – Eu vejo da seguinte maneira, sempre com idéias novas, certos momentos dialéticos, claro que sempre tem os lados negativos da parada porém os lados bons sobressaem no esquema, então de boa! A questão é que onde há pessoas há problemas em certos momentos, mas meu medo é dar opiniões próximas ao senso comum sobre isso pelo menos quem eu conheço, digo, amigos meus do rap, são firmeza total, mas sempre existem algumas coisas desagradáveis e parece que tudo tem que acontecer com rap. As vezes, cansa ouvir sempre a mesma história e o pior é saber que pode haver mudança e isso alguns tem preguiça de fazer acontecer.
Gero02 – Muito forte, o rap hoje é respeitado por muitos, até pelos críticos, ganhamos confiança no que fazemos. Nossa luta não é em vão, temos vidas em jogo, condições a serem vistas, enfim, somos polêmicos, muitas vezes perseguidos, mas estamos no século XXI e “acho” que temos uma caminhada longa percorrida com relatos, histórias, livros, filmes, documentos… e “ELES” como são os donos da palavra… “cada um no seu lugar”! “ELES” falam e a gente segue o rumo na estrada, mas vejo o rap firmeza total caminhando de boa.

Vanguarda – Você é um cara bastante politizado, como você encara essa “conexão” Rap – Política?

Jucka – Me considero politizado (risos), tenho ligação partidária e isso não escondo sou filiado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil). Mas é o seguinte, cada um segue o que acha coerente e mais próximo do seu dia-a-dia, existe uma causa maior na luta tá ligado, então cada um segue seu corre, o que deve haver sempre é o respeito às diferenças e opiniões, claro que vai haver o debate de idéias e isso é importante também.
A relação do Rap e a Política, se pegarmos as origens do movimento, iremos observar melhor e ver que foram fatores políticos o problema que muitos compreendem de forma diferente e aí está o “X da questão”. Misturam política com política partidária, essa confusão gera outras confusões. Em 2006, ajudei na campanha do Aliado G para deputado estadual em São Paulo, e recentemente em 2008 estive ajudando na campanha do Nuno Mendes (105FM),para vereador na cidade de São Paulo. Não escondo isso, mas da mesma maneira que respeito quem não concorda com a parada, espero o respeito também.
Eu sei os momentos que posso falar dentro de uma situação sobre o partido e outras situações que não. Acho que reclamar e não tentar mudar é complicado, até cito em uma letra “… reclamação sem esforço não adianta nada…”, “sempre ser a vítima não cola!”. Exemplos: Se a política é encarada como suja, vamos limpá-lá! Se, só tem pilantra vamos lá mudar, mesmo por que não sou nem sujo e nem pilantra então vai haver a mudança, não é?! Sei que é difícil, mas se um não começarmos, literalmente não irá mudar!
Agora, se o corre será político-partidário ou não, já é outro assunto a ser questionado e debatido, como sei que existirá vários questionando esse meu corre, então é o que mencionei nas primeiras linhas da resposta.

Vanguarda – Se você pudesse mudar algo no rap, o que seria? E o que não mudaria nunca?

Jucka – Para falar a verdade, tem coisas que nem deveriam existir no rap, como não tenho essa onipotência de mudar, porém posso me afastar, não fico próximo e nem quero amizade com pessoas invejosas, maliciosas que não querem ver o outro vencer. Agora, se eu pudesse mudar algo gostaria de humildade de verdade mesmo, nas atitudes de alguns e o que não mudaria é os que já tem essa humildade por natureza permanecessem com a mesma, por exemplo manos dispostos a espalhar as ideias do movimento para os mais distante lugares, seja qual for o método ou canal, isso é da hora ver, e talvez a corrupção de idéias poderá acontecer. Tem coisa no rap que vejo, escuto e presencio, que não era necessário acontecer, em algumas atitudes alguns querem ser tão profissionais que pecam em outras que o complementariam para ser um profissional.

Vanguarda – Costumam dizer que o rap é bastante incoerente pelo fato de lutar contra o preconceito mas ser um estilo preconceituoso, você concorda?

Jucka – Olha meu ponto de vista quanto a “pré-conceitos” é o seguinte, vivemos em uma sociedade que por muitas vezes não mostra de fato sua face, mas que é em certos momentos preconceituosa, então seguindo o raciocínio, automaticamente alguns setores irão refletir essas atitudes, não afirmo que isso é uma regra geral. A questão é, conforme isso reflete em alguns setores e o rap é o que está em evidência e o conhecemos melhor, observamos isso acontecer dentro do mesmo, e não é por culpa de alguns é por conta de todo o contexto social. Não concordo que o movimento seja assim, mesmo por que sou do movimento e não tenho atitudes preconceituosas, então isso por muitas vezes parte de alguns.

Gero02 – Mundialmente falando, o preconceito existe em qualquer lugar, principalmente dentro de cada um de nós. No rap é só mais uma questão para resolver. O rap tem isso, carrega muita bagagem, tudo queremos questionar, resolver e isso chama atenção dos preconceituosos, tá ligado?!

Vanguarda – Deixe um recado para todos do movimento:

Jucka – Um salvão para todos manos que de forma direta ou indiretamente contribuem para cultura hip hop e fazem esse movimento ser forte e que infelizmente não é tão compreendido como deveria, mas é bom saber que neste momento existem muitos no corre, loucos para manterem o “bang de pé”, e que gerações futuras possam ver e ler o presente como história contada por semelhantes, por manos que lutaram, que resistiram muitas dificuldades. Abraço à todos e seus familiares, para quem eu conheço e me conhecem e aos que trabalham em favor do hip hop.

Gero02 – Gostaria de agradecer o movimento hip hop por existir e permanecer na cena, com essa pegada louca que é o rap, independente de qualquer coisa, é muito forte graças a Deus. “Quem é original não treme” esse é o Bang! Força para toda rapaziada que está na correria. Fiquem com Deus e um abraço.

Segue algumas fotos:

Contatos
Email: juckarapper@hotmail.com
Email: rogeriogero02@yahoo.com.br
MySpace: www.myspace.com/reflexaofinal

Texto: Blog Vanguarda do Rap Nacional
Fotos: Divulgação RF

4 Responses to “ “Quem é Original Não Treme” – Reflexão Final ”

  1. ótimo poster, Parabéns pelo blog! possue um conteudo muito bom, estou sempre aconpanhando. Quando poder visite o meu tb, te um conteúdo legal, http://sofamosidade.blogspot.com bjs

  2. Edilaine disse:

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